O ABC está com defasagem de 384 policiais civis, sendo 186 investigadores e 198 escrivães, de acordo com informações divulgadas nesta quinta-feira (13), pelo Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado (Sindpesp), que elabora trabalho de planejamento estratégico de suas ações.
O quadro deficitário na região é de 123 investigadores e 83 escrivães na delegacia seccional de Santo André; 47 investigadores e 36 escrivães, em Diadema; e 16 investigadores e 79 escrivães, em São Bernardo.
A presidente do Sindpesp, Raquel Kobashi Gallinati, que participou de reuniões com os delegados seccionais da região, afirma que o trabalho faz parte de uma ação maior da entidade, a fim de constatar todo o problema apresentado na Polícia Civil no Estado. “Há uma falta de vontade política do governo estadual em investir na polícia. Hoje precisamos de mais 9 mil policiais em São Paulo”, diz.
Gallinati afirma que o quadro de policiais no Estado, com efetivo de 39.475 mil profissionais, foi idealizado em 1994. Naquela época São Paulo tinha uma população de 33,8 milhões de habitantes. “Passados mais de 22 anos, a população aumentou em 11 milhões, mas o contingente de policiais civis é o mesmo. O resultado é que temos menos policiais civis por habitante”, enfatiza.
A falta de policiais dificulta o processo para instalação de mais delegacias Região, como por exemplo, novas unidades de delegacias da Mulher. Sobre essa questão, Raquel salienta que não pode ter o resultado esperado, uma vez que não há profissionais para atuar nas delegacias que já funcionam. “Quem sofre com isso é a população, que fica é acometida por crimes, como roubo, latrocínio, furto, entre outros”, enfatiza.

Estrutura sucateada
Apesar do problemas, a presidente do sindicato diz que a Polícia Civil de São Paulo é a melhor da América do Sul e ainda consegue realizar um trabalho competente, por conta do comprometimento da categoria, que atua em escalas desumanas de plantão. “Um policial hoje trabalha por até três profissionais”, afirma.
Além da falta de contingente, salienta que há sucateamento de veículos, armamentos e prédios onde funcionam as delegacias. “Além disso, há servidores municipais que são emprestados para fazer as funções de um policial”, alerta.
Quanto aos salários, explica que atualmente um delegado de São Paulo recebe vencimento 40% menor que as demais carreiras jurídicas. Hoje um delegado recebe, em média, R$ 10.050,00. “Os ganhos deveriam ser compatíveis com as responsabilidades e atribuições do cargo para que a carreira fosse mais atrativa e não houvesse evasão”, pondera.
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Segurança Pública do Estado, se posicionou sobre as declarações da presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado (Sindpesp):
“A SSP informa que o processo de nomeação dos aprovados no concurso de 2013 está em andamento. Somente neste mês, foram 101 investigadores e 278 escrivães formados. Os novos policiais estão sendo distribuídos por todo o Estado. Desde 2011 foram contratados 4.027 policiais. Ainda este mês está prevista a formatura de 80 delegados. A pasta investiu, nos últimos seis anos, R$ 30,2 milhões na compra de 445 viaturas apenas para a Polícia Civil da Grande São Paulo. O orçamento da Secretaria saltou de 4,7 bilhões de reais em 2001 para mais de 21,5 bilhões de reais em 2017, uma alta de 357,45%”.