
Passada a eleição em Santo André, que garantiu a vitória do candidato governista Gilvan Júnior (PSDB) para prefeito já no primeiro turno, no dia 6 de outubro, a Câmara ainda vive certa ressaca eleitoral. Mas alguns vereadores já começaram a se movimentar de olho na Presidência do Legislativo para os próximos dois anos, que será definida no dia 1º de janeiro, quando os 27 parlamentares eleitos – são 21 até o fim do ano – tomarão posse. Segundo apuração inicial do RD, sete nomes da atual base de apoio ao Paço estariam dispostos a concorrer ao cargo.
A reportagem entrou em contato com todos, mas apenas três confirmaram o interesse, dois dizem ter sido procurados por colegas para declarar apoio caso entrassem na disputa – ainda não se decidiram –, um garantiu (Zezão Mendes-Solidariedade) que trabalha pela reeleição de Carlos Ferreira (MDB) e Pedrinho Botaro (PSDB) não respondeu até o fechamento desta matéria.
Vale lembrar que o tucano é um dos nomes que pode ser convidado a voltar ao primeiro escalão no governo Gilvan – foi secretário de Ações Governamentais na gestão do prefeito Paulo Serra (PSDB) –, assim como o colega de partido Marcelo Chehade, que era o titular da Pasta de Esportes até voltar à Câmara para disputar a reeleição – obteve 3.903 votos e ficou na 16ª colocação.
Atual presidente da Câmara, Carlos Ferreira diz desconhecer que já há um número considerável de nomes que poderiam entrar na disputa pelo comando da Casa no biênio 2025/2026, mas entende que todo vereador eleito tem o direito de apresentar candidatura e buscar apoio entre os pares.
Segundo Ferreira, um dos pontos que pesaram na decisão de buscar a reeleição foi o trabalho realizado à frente do Legislativo nos dois últimos anos, quando conseguiu estabelecer boa relação com o Poder Executivo e defender a participação dos parlamentares na discussão de projetos considerados importantes para a cidade, inclusive com a inclusão de emendas e sugestões.
“Então, isso aconteceu na Câmara de Santo André, e acredito que participei desse processo, de dar essa dignidade à Casa e de respeitabilidade ao governo municipal. Quero continuar esse trabalho, de respeito ao governo, de uma ligação ao governo respeitosa e com seriedade no trato, para que a gestão escute Câmara e vereadores, e a gente consiga participar do governo de forma mais assídua, mais séria, agora com 27 vereadores”, comenta o emedebista.
Mais votado
Reeleito com a maior votação da cidade, com 10.288 votos, Bahia do Lava Rápido (PSDB) lembrou que saiu da eleição de 2016 como primeiro suplente, foi eleito em 2020 com 4.972 apoios e avalia que está preparado para comandar a Câmara. Por isso, decidiu colocar seu nome da disputa pela presidência da Casa, mesmo com a certeza de que não terá apoio do atual e do futuro prefeito, que também são do PSDB.
“É uma grande responsabilidade ser presidente da Câmara, mas sei que estou preparado e pronto para essa missão. Vou dialogar com os vereadores que se dispuserem a conversar, porque gosto de desafios, e ser presidente da Casa contribui muito com a cidade, com seu desenvolvimento, e estou à disposição para ajudar nesse sentido”, diz Bahia do Lava Rápido.
Rodolfo Donetti (Cidadania) saiu das urnas no dia 6 de outubro reeleito para o terceiro mandato consecutivo com 5.352 votos, em sexto lugar, trajetória que considera ter lhe dado condições e experiência para assumir a presidência da Câmara, que passará a ter o segundo maior número de vereadores (27) – atrás de São Bernardo, que tem 28.
Embora avalie que ainda seja cedo para fazer a discussão em torno da eleição para o comando do Legislativo, Donetti não esconde que já colocou o ‘bloco na rua’ (ou nos corredores e gabinetes da Casa) para buscar o apoio dos colegas para consolidar a candidatura.
“Sou candidato, sim, uma pessoa experiente e que pode agregar bastante na Câmara. Estou conversando com os nossos pares, de uma maneira muito leve, tranquila, humilde, para sentir quem pode aderir ao meu nome, mas respeitando todos que também são (candidatos). Principalmente o nosso atual presidente, Carlos Ferreira, pelo qual tenho carinho e respeito, que tem trabalhado muito nesses últimos dois anos para deixar a Casa do jeito que está. Acredito que ainda seja cedo, mas vamos dialogando. São mais aquelas conversas informais, como outras pessoas (vereadores) têm feito também, para me posicionar. Mas no final respeitar o que os vereadores desejarem”, pontua.
Procurados
Outros dois nomes que surgiram nos corredores da Câmara foram os de Dra. Ana Veterinária (PSD) e Professor Jobert Minhoca (Podemos), respectivamente reeleitos com 7.137 (segunda mais votada entre os 27) e 4.949 votos (sétimo). Ambos disseram ao RD terem sido procurados por colegas de Câmara, que queriam saber se pretendiam colocar seus nomes na disputa e declarar apoio. Porém, os dois não fecharam questão em torno do assunto. Ou seja, se pretendem aceitar o ‘convite’ dos colegas para concorrer ao cargo máximo da Câmara.
“Alguns colegas da Casa vieram falar comigo sobre essa possibilidade, de ser presidente, e fiquei feliz, pois tenho experiência e posso fazer um bom trabalho. Sou do grupo da base do prefeito Paulo Serra, estaremos ao lado do futuro governo do prefeito Gilvan, e o excelente relacionamento que tenho com o grupo é um fator a mais. Particularmente, sei que tenho totais condições e vamos avaliar a possibilidade”, desconversou Ana Veterinária, que vai para o segundo mandato.
Jobert Minhoca, reeleito para o terceiro mandato, garantiu que os rumores que circulam na Câmara de que teria colocado seu nome na disputa não procedem, e avalia que ainda é cedo para fazer essa discussão, mas não descarta a possibilidade.
Minhoca conta que vários vereadores o procuraram para saber se gostaria de ser candidato à presidência da Câmara e teria o apoio deles. “Mas está muito cedo, tem muita água para rolar, o Gilvan está montando seu secretariado e tudo pode acontecer. Acredito que seja uma discussão para mais adiante. Respeito todos os movimentos e nomes que estão se colocando como candidatos à presidência, e fico muito feliz de ser lembrado por vários parlamentares como um nome que eles votariam”, diz.
Oposição
O grupo de vereadores eleitos que estarão no bloco de oposição a Gilvan Júnior na Câmara, formado por três nomes do PT – Wagner Lima, Tiago Nogueira e Clovis Girardi – e um do Psol, Ricardo Alvarez, ainda não decidiram se vão lançar um nome à Presidência da Câmara, mas o psolista disse ser a favor da ideia.
“Defendo isso e já procurei os demais, mas ainda não temos essa possibilidade fechada”, comenta Alvarez. Vale lembrar que outros três parlamentares eleitos são do PL – Lucas Zacarias, Major Vitor Santos e William Lago. O PL é o partido do ex-presidente Jair Bolsonaro e ferrenho adversário do PT, mas que teve como candidato ao Paço Luiz Zacarias, ex-vice-prefeito que deixou o grupo de Paulo Serra, agora seu desafeto, para lançar candidatura quando soube que não seria o nome do Paço na disputa.