
Quase quatro mil alunos de escolas municipais e creches de São Bernardo, que dependem do transporte escolar gratuito, ficaram sem o serviço nesta quinta-feira (06/03) por conta de uma manifestação dos motoristas das vans escolares que querem equiparação salarial. A empresa contratada pela prefeitura, a Diastur, teria, segundo os motoristas, colocado pessoal para atuar neste contrato, mas com registro em outras empresas do grupo tendo salários e benefícios menores. A prefeitura disse que vai buscar medidas legais para garantir o serviço. Uma nova paralisação está prevista para esta sexta-feira (07/03) diante de boatos de que a Diastur demitiria os trabalhadores grevistas.
No protesto que ocorreu pela manhã na rua Tiradentes, Jardim Irajá, em frente a uma das garagens das vans, os trabalhadores cruzaram os braços e não saíram para o itinerário diário de pegar as crianças e levar para as escolas. A prefeitura diz que 3.997 alunos ficaram sem o serviço.
Um trabalhador, que pediu para não ser identificado por receio de represálias, disse ao RD que trabalha na Logitectrans, uma das empresas do grupo, e que recebe R$ 1.905 com descontos, e um vale-refeição de R$ 162, sendo que os trabalhadores contratados diretamente pela Diastur recebem R$ 400 de vale-refeição. Ele conta ainda que, para atuar no transporte de crianças, é preciso fazer um curso, pelo Detran (Departamento Estadual de Trânsito), mas a empresa estaria usando parte dos funcionários da BR7, outra empresa de transporte pertencente ao grupo, pagando um extra de R$ 900 para cada um para transportar os alunos sem o curso necessário.
“Eu amo o que eu faço, levar as crianças para as escolinhas, mas só quero que eles nos valorizem. Já vi muitos motoristas profissionais saindo por conta do salário e benífcio que não ajuda. A Diastur tem até convênio e a JJ e a Logitech não tem. Essas duas empresas carregam a Diastur nas costas”, aponta o motorista.
Uma motorista, que também pediu para que seu nome não fosse revelado, diz que as três empresas fazem o mesmo trabalho, mas os trabalhadores têm salários e benefícios diferentes. Ela conta que a manifestação foi um ato desesperado dos trabalhadores que, segundo ela, não encontraram amparo no Sintratesp (Sindicato dos Trabalhadores, Empregados em Transporte Escolar em Veículos de Pequeno, Médio e Grande Porte da Região do ABC). “A gente paga o sindicato, quem quer sair não consegue se desfiliar e nem sabemos onde fica esse sindicato”, aponta.
O presidente do Sintratesp, Aparecido Feliciano Iamarino, disse que a entidade representa os trabalhadores e que tem como premissa nas negociações salariais que terão início em abril, com data-base em maio, a equiparação salarial de todos os trabalhadores da base, mas admite que nem sempre isso é possível, restando à entidade a negociação por empresa, o que gera as diferenças. “Eles, trabalhadores, sabem que estamos em início de negociação. Na Diastur tem um acordo coletivo, como na JJ e na Logitech, cada empresa tem seu acordo. Estamos tirando a pauta para começar a conversar com as empresas e claro que nossa proposta é que todos que exerçam a mesma função recebam igual. O sindicato apoia os trabalhadores em tudo, mas uma meia dúzia resolveu se revoltar, mas foi uma paralisação parcial e depois todos voltaram ao trabalho”, disse.
O transporte escolar gratuito atende 15.594 alunos em 220 escolas de São Bernardo e conta com 820 profissionais e 400 vans, incluindo 21 veículos adaptados para cadeirantes. Em nota, a administração municipal disse vai tomar medidas legais em relação à Diastur, contratada para realizar o serviço. “A Prefeitura de São Bernardo, por meio da Secretaria de Educação, informa que foi surpreendida, nesta quinta-feira (06/03), com a paralisação de parte do serviço de transporte escolar prestado pela empresa Diastur Turismo LTDA. Como consequência, 3.997 alunos ficaram sem atendimento no período da manhã. Diante desse cenário, a administração municipal já acionou os setores jurídicos competentes para adotar as medidas legais cabíveis, com o objetivo de restabelecer o serviço o mais rapidamente possível e assegurar os direitos dos estudantes”, diz comunicado da administração municipal.
A prefeitura diz ter exigido que nesta quinta-feira (06/03) a Diastur providenciasse o transporte de volta para casa dos alunos do período da manhã e, à tarde, garantisse o atendimento normal. “Compreendemos os transtornos causados às famílias e reforçamos nosso compromisso com a qualidade e a continuidade da Educação no município. Seguimos acompanhando a situação de perto e manteremos a população informada sobre os desdobramentos e prazos para a normalização total do transporte escolar”, completa a nota.
Empresas
O RD tentou contato com as empresas Diastur, JJMG e Logitectrans, por telefone e por e-mails, mas até o fechamento esta edição não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestação destas empresas e esta matéria será atualizada em caso de pronunciamento.