Projeto IPH/USCS, que tem entre seus objetivos contribuir com informações pertinentes tanto à qualidade das águas dos reservatórios da região metropolitana de São Paulo, (Foto: Divulgação/USCS)(Foto: Divulgação/USCS)
Nesta quinta-feira (27/03), o reservatório Billings completa 100 anos de operação, na oferta de água para Santo André, São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, além de abastecer bairros de São Paulo, como Ipiranga e Pinheiros, e parte de Osasco.
O reservatório tem sido alvo de estudos há mais de 15 anos pelo projeto Índice de Poluentes Hídricos da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (IPH/USCS), que busca contribuir com dados sobre a qualidade das águas e o impacto ambiental na região metropolitana de São Paulo.
Newsletter RD
“As ações do IPH vão ao encontro dos objetivos da USCS, de levar informações que proporcionem a prevenção de doenças na população, além de dados às autoridades que possam subsidiar políticas públicas de saneamento ambiental, buscando a universalização do saneamento. As atividades coordenadas pela professora Marta ajudam a aproximar ainda mais a USCS dessas comunidades locais. É um exemplo claro do papel da instituição junto à sociedade, oferecer algo que tem impacto direto em suas vidas”, reforça o reitor da USCS, Leandro Prearo.
Coordenado pela docente e bióloga, Profª. Marta Angela Marcondes, o IPH/USCS (antes chamado Grupo Biguá) iniciou suas atividades de pesquisa no reservatório Billings em 2008. Suas discussões, junto a dirigentes dos sete municípios do Grande ABC e de São Paulo, além da participação da sociedade civil, contribuíram para a elaboração da Lei Especifica da Billings, promulgada em 2009. De lá para cá, processos foram (e continuam) sendo aprimorados, equipamentos de última geração passaram a fazer parte dos estudos, permitindo resultados cada vez mais detalhados que contribuem com informações para toda a sociedade. “Nossos resultados são colocados em relatórios que são disponibilizados tanto para a sociedade civil como para o poder público e que já nortearam projetos e políticas públicas relacionados ao saneamento“, explica a docente.
Atualmente, são analisados materiais de 50 pontos de coleta de todos os compartimentos do Reservatório, em quatro campanhas de coletas anuais, sendo coletadas águas na superfície e no fundo da represa, sendo todos os pontos georreferenciados. “Além disso, nessa trajetória, fizemos muitas parcerias em todos os territórios da Billings, com os pescadores, líderes comunitários, líderes dos grupos Guarani, que vivem às margens do Reservatório, ribeirinhos, além de grupos de líderes que trabalham com as questões de moradias no local”, explica a docente que teve como tema de seu mestrado “O modo de ser Guarani e as Políticas Públicas Ambientais”, com estudos na Aldeia Guarani Krukutu, localizada às margens do reservatório.
Além do reservatório Billings, o Projeto IPH/USCS estuda os seguintes corpos hídricos: Pinheiros, Tietê, Tamanduateí, Ribeirão dos Meninos, Ribeirão dos Couros, Ribeirão do Soldado, Mogi Mirim e reservatório Guarapiranga, sendo o mais antigo o rio Tamanduateí (desde 2003) e o mais atual o rio Pinheiros (desde 2019). O Projeto também atende a demandas específicas para projetos da comunidade.
À frente do projeto desde sua criação, Marta relembra o início de sua relação com a represa e a evolução dessa história: “Minha história com o Reservatório Billings inicia quando eu era criança e íamos no Parque do Estoril, passear e nadar, aquela quantidade de água linda e cheia de energia me encantava. Desde aquele tempo, temos esse contato tão próximo, ao longo dos anos, os estudos no local sempre fizeram parte do meu dia a dia. Hoje, estou finalizando minha tese de doutorado, no qual busco identificar os grupos de bactérias de superfície e fundo, com a tecnologia de sequenciamento genético de nova geração, contribuindo para que se conheça ainda mais sobre a dinâmica desse importante Reservatório. E espero que essa nossa história, e a represa, perdurem ainda por muitos anos”.